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A toponímia na América Latina: como nomear um país?

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Por Letícia Rodrigues O estudo dos nomes próprios é considerado um dos elementos fundamentais para se conhecer um pouco mais sobre um povo, como os seus registros, sua cultura, sua organização em sociedade, suas crenças etc. O ato de nomear corresponde a uma prática antiquíssima, até porque seria extremamente laborioso conceber uma sociedade que não atribua vocábulos designativos a pessoas, animais, lugares e até mesmo a alguns objetos. A ciência linguística que se dedica ao estudo dos nomes próprios é a onomástica que, por sua vez, subdivide-se em diversas subáreas de estudo. Podemos determinar duas subáreas principais: a antroponímia e a toponímia. A antroponímia dedica-se ao estudo dos nomes próprios de pessoas, seja ele do nome completo (prenome e sobrenome), seja ele de suas partes. Já a toponímia refere-se ao estudo dos nomes de lugares, ambas considerando origem, forma e evolução. Especificamente neste texto, vamos deter-nos aos topônimos da América Latina, tentando remontar, a ...

Narrativas e memórias: representações e fragmentos do contemporâneo na América Latina

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Por Priscila Machado É indubitável a importância do boom latino americano − alguns críticos preferem chamá-lo de “Novo Romance Latino-Americano” (NRL) − como movimento que estabeleceu referência estética, cultural e política entre as décadas de 1960 e 1970. Dani Velásquez ressalta essa importância no seu artigo Para uma breve caracterização do Novo Romance Latino-Americano , no qual diz que O escritor do NRL integra a fala popular no cenário romanesco, não como um narrador alheio à comunidade linguística que está retratando, mas de dentro sem cair na simples imitação, encontrando as possibilidades estéticas que estas formas idiomáticas podem oferecer [...] (VELÁSQUEZ, 2016, p. 19). Esse episódio foi recorrente nas alegorias criadas por Garcia Márquez e Juan Rulfo nas narrativas que se passavam em Macondo e Comala (cidades literárias dos respectivos autores). Sobre tal questão, considero muito pertinente o comentário do professor e escritor mexicano Marco Aurélio que, em certa ocasião,...

Uma literatura afro-diaspórica na América Latina

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Por Gleisson Alves Com o processo de colonização que ocorreu em diversas partes da América Latina, muitos povos foram trazidos do continente africano. Tendo suas identidades violentamente rasuradas, precisaram encontrar formas para reexistirem (SOUZA, 2011) e se reconstruírem em territórios desconhecido; muito foi silenciado. Hoje, quando se tenta falar dessa sobrevivência, exalta-se dentro de uma ideia de latinidade apenas uma concepção de miscigenação, um lugar de festa, de comemoração; uma unidade que tenta ser capaz de abordar toda a complexidade existente. Porém, dessa maneira, a complexidade dos povos vindos de África termina sendo anulada e não lhes dá uma identidade que consiga representá-los. Portanto, não se pode, mais uma vez, olhar um continente sem perceber sua heterogeneidade e querer escrever dele uma história narrada por um viés único. Nas palavras de Coutinho (2010), lembramos que [...] o próprio conceito de ‘América Latina’, que, pela sua pluralidade, requer constante...

Entrevista com a professora Lívia Natália

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  Por Isadora Matos Procurar entender como nos definimos sempre foi uma preocupação de estudiosos de diferentes áreas em diferentes momentos da história. Na contemporaneidade, segundo Stuart Hall, o sujeito é visto através do olhar da multiplicidade, constituído por múltiplas identidades que se organizam por um viés histórico e não biológico e que estão suscetíveis à mudança. A concepção de um sujeito racional, unificado e contínuo torna-se insustentável, pois o momento histórico da contemporaneidade já não possui relações sociais e institucionais estáveis que garantem a conformidade do sujeito. O que parecia ser intrínseco e imutável, hoje se configura no terreno da contingência. Sendo assim, as lógicas simplistas e contínuas para entender identidades nacionais, de gênero, de raça, de sexualidade etc. são cada vez mais questionadas. Como faz Judith Butler em Problemas de gênero , ao discutir a relação entre gênero, sexo e desejo sexual e sua aparente continuidade. Esses teóricos a...

Identidade e Linguística Aplicada

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Por Cristovão Mascarenhas e Ana Paula Oliveira   As questões relacionadas ao conceito de identidade tem ganhado muita atenção na contemporaneidade. A sociedade, influenciada pela difusão das informações a nível local e global, faz com que o sujeito assuma posicionamentos diferentes, provisórios e móveis, uma vez que, o cruzamento de fronteiras culturais viabilizam tal movimento. Surge, portanto, uma nova configuração dos sujeitos e de suas identidades diante de um espaço social que não possui mais a mesma “centralidade”, mas pelo contrário, é híbrido e complexo. Esse texto propõe, ainda que brevemente, observar a relação que existe entre identidade e linguagem. Procuraremos discutir como a linguagem influencia na (re)construção da identidade desse sujeito, para isso, nos apoiaremos à concepção de Linguística Aplicada, buscando entender de que modo essa ciência tem contribuído para a formação do sujeito no âmbito do ensino. Já sabemos que a fragmentação e a transitoriedade são caracterí...

Gênero: identidade ou mecanismo de opressão?

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Por Ludmila Rodrigues Diante da proposta deste texto de relacionar gênero e identidade, ou melhor, tratar do gênero enquanto identidade, o que eu vou fazer aqui, como mulher feminista que partilha da visão materialista de gênero, é uma comparação entre duas visões de gênero distintas, a fim de esclarecer suas semelhanças e diferenças, não sem, é claro, me posicionar diante do debate que essas duas definições contrárias geram. A primeira definição, defendida pela política queer , trata o gênero como uma posição do indivíduo dentro de um espectro cujas duas pontas seriam, respectivamente, os gêneros masculino e feminino. Nela, cada pessoa possui uma identidade de gênero caracterizada pela posição ocupada dentro do espectro em questão, de maneira que sexo e gênero não estão necessariamente ligados. Para isso, determinados indicadores são escolhidos e usados na relação entre esse indivíduo e a sociedade,  sendo tais indicadores peças-chave na definição da maneira como um sujeito é percebid...

Identidade nacional na pós-modernidade: um “se” reflexivo

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Por Filipe Castro Talvez uma das sensações de maior naturalidade para o indivíduo moderno seja a de pertencimento a algum lugar, mais precisamente, a algum país, a alguma nação. Não é só saber que se pertence a uma dessas instituições por questões óbvias ou jurídicas, como o fato de saber onde nasceu ou obter a nacionalidade de algum país que não é o seu de origem; é mais que isso. É perceber que, fazendo parte dessa ou daquela nação, faz-se parte também da sua lógica de funcionamento, de seus ritos, de suas formas de compreender o mundo, a vida, a humanidade, a ponto de isso gerar no indivíduo um dos traços mais "naturais" de sua identidade, tanto que, na maioria, se não em todas as línguas, a forma que se encontra pra falar a respeito desse sentimento é através do verbo "ser": eu sou desse ou daquele lugar. A era moderna lidou com esse sentimento com bastante tranquilidade: o indivíduo nascia em um lugar e "era" de lá, pertencia a esse lugar, tanto que é...